SANTA TERESA DO MENINO JESUS

PADROEIRA UNIVERSAL DAS MISSÕES

 

«Quereria percorrer a terra, pregar o teu nome, implantar no solo infiel a tua cruz gloriosa, mas, ó meu Bem Amado!, uma missão só não me bastaria: Quereria, ao mesmo tempo, anunciar o Evangelho nas cinco partes do mundo e até nas ilhas mais longínquas.

Quereria ser missionário, não apenas durante alguns anos, mas quereria tê-lo sido desde a criação do mundo até à consumação dos séculos. Mas quereria, sobretudo, ó meu Bem Amado Salvador, derramar o meu sangue por Ti, até à última gota». (Santa Teresa do Menino Jesus. História de uma Alma, B, 3r)

 

Os Carmelitas Descalços têm a sua fonte de inspiração missionária na sua fundadora, Santa Teresa de Jesus (1515-1582, Ávila, Espanha) que, ao ter conhecimento das descobertas que os portugueses e espanhóis fizeram no Séc. XVI, quis que os seus frades e freiras rezassem fervorosamente pelas missões e partissem para a evangelização destes povos recém-descobertos.

Mas é Santa Teresa do Menino Jesus (1871-1897, Lisieux, França), carmelita e fiel discípula da sua mãe espiritual, Teresa de Jesus, que melhor assimila este ideal missionário do Carmelo e o vive com tão elevada paixão que, apesar de nunca ter saído da clausura, a Igreja a declara, juntamente com S. Francisco Xavier, Padroeira Universal das Missões.

Ela mesma desejou partir em missão pois o Carmelo de Lisieux tinha fundado, em 1861, um convento em Saigão, em terras de missão. Esta fundação em terras do Oriente correspondia ao desejo das carmelitas em se oferecerem a Deus pela salvação dos povos, mediante a oração e o sacrifício. Teresa do Menino Jesus sempre sonhou em partir para terras distantes como carmelita (História de uma Alma, C.9r; 10v; Cta.220;221;244). Ofereceu-se para este Carmelo do Saigão. Tal só não foi possível devido à sua frágil saúde (História de uma Alma, A.84v) e à não autorização da superiora.


Eis alguns dos seus pensamentos e desejos que atestam a identidade missionária de Santa Teresa do Menino Jesus:


Depois de desejar ser todas as vocações que existem na Igreja, Teresa sossega com a seguinte descoberta:
«Ó Jesus, meu Amor! Encontrei finalmente a minha vocação: a minha vocação é o Amor... Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, e esse lugar, ó meu Deus, fostes Vós que mo destes... No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o Amor... Assim serei tudo! Assim o meu sonho será realizado!!!» (História de uma Alma, B, 3v)


Ao missionário e sacerdote, P. Adolfo Roulland, escreve assim:
«Sinto-me indigna de estar especialmente associada s um dos Missionários do nosso Adorável Jesus, já que a obediência me confia esta doce missão (...) sentir-me-ei verdadeiramente feliz por trabalhar convosco na salvação das almas; foi com essa finalidade que me fiz carmelita; não podendo ser missionária pela acção, quis sê-lo pelo amor e pela penitência como Santa Teresa de Jesus» (Carta 189, 23 de Junho de 1896)


Ao P. Maurício Bellière, outro sacerdote missionário seu amigo, escreve, rezando:
«Peço ao Senhor Jesus que sejais, não só um bom missionário mas sim um santo abrasado do amor de Deus e das almas; suplico-vos que alcanceis para mim este amor para que eu possa ajudar-vos no vosso trabalho apostólico. Vós sabeis que uma carmelita que não fosse apóstola afastar-se-ia da sua vocação e deixaria de ser filha da Seráfica Santa Teresa de Jesus que desejava dar mil vidas para salvar uma só alma». (Carta 198, 21 de Outubro de 1896).